Ternura Antiga

Thursday, November 25, 2010





..."Adoramos nos apaixonar. E sabemos, por experiência própria, que o "ficar" pode gerar sensações estranhas: pouco a poucos nos cansamos da conversa monótona. Pensamos em até que ponto nos desiludimos da última vez que tivemos um encontro desses e quanto tempo demorou para nos recuperarmos.

De outro lado, algumas pessoas sentem-se como que presas numa porta giratória e a cada virada ficam mais confusas. São tantas idas e vindas, tantas apresentações sem continuidade, que acabam com a impressão de estarem saindo do cinema antes do final do filme. Outros, ainda, desencantam-se com os encontros de curta ou curtíssima duração, porque não se conformam com os breves lampejos de excitação que logo se apagam da memória ou se desmancham no ar. Parecemos ter a capacidade ilimitada de tapar os olhos, mas as minidesilusões constantes causam um tipo de dor que maltrata o coração.
Enquanto o "ficar" nos dá a sensação de tufos de algodão-doce que se derretem em segundos na boca, o namoro envolve o sentimento de haver compreensão, cuidados mútuos. É uma fase de intenso companheirismo. O namoro é uma época definitivamente importante, porque possibilita desvendar algumas facetas ocultas de nosso parceiro. Esse processo de averiguação nos ajuda a determinar se queremos ou não aprofundar o relacionamento.

Se acreditarmos que é possível encontrar e manter vivo o amor, as ligações amorosas, mesmo fugazes e despretensiosas, podem nos ensinar muitas coisas, nos modificar. E com certeza poderão transformar-se na semente de relações duradouras e felizes.

*Maria Helena Matarazzo é sexóloga e publicou, entre outros, Encontros, Desencontros e Reencontrose Guerras Eróticas, pela Editora Gente.

0 Comments:

Post a Comment

<< Home