Ternura Antiga

Friday, January 19, 2007






Amigos e quitutes



Como eu ia dizendo, a delícia da amizade é que ela é gratuita, inexplicável e aleatória. Quantas vezes, na rua, eu bato o olho em alguém e penso: só não somos amigos (ou amigas) porque ainda não marcamos hora e lugar.

Por outro lado, têm aqueles que fazem de tudo para privar da nossa amizade e a coisa não engrena.

E aqueles que abusam da nossa boa vontade, vivem dando mancada e, mesmo assim, não saem da lista dos mais queridos?

Na infância e adolescência, os amigos são tudo na nossa vida. Enfrentamos o mundo para defendê-los. Mais aí começam as paqueras, os namoros e eles vão ficando em segundo plano. Depois vem o casamento e para evitar complicações, os amigos de um são os amigos do outro.

Até que chega a hora da separação e a terrível tarefa de dividir os amigos. Esse é meu. Não, é meu.

Parece que só temos serenidade para degustar uma boa amizade com o requinte que ela merece depois que a vida sossega.

Uma coisa bacana que eu aprendi bem tarde é ser amiga de mulher. Confesso que tinha sérias restrições a respeito.

Mas, de uns tempos para cá, foi me dando uma paixão por certas mulheres incríveis e seus caprichos maravilhosos. Percebi então o tempo que eu havia perdido achando que amizade de mulher era isso ou aquilo...

Aliás, quer coisa melhor do que amizade sem sexo? Ela existe sim senhor. Mas esse néctar não é para qualquer um. É preciso comer muito feijão pra chegar lá. Antes dos quarenta somos altamente inflamáveis, tem muita combustão no ar e isso atrapalha a amizade. É uma hipótese.

Por falar em hipóteses, uma vez ouvi uma tão bonita sobre essas tais sintonias inexplicáveis que não canso de repeti-la: Deus, quando fez as pessoas, as fez em fornadas. Os que são da mesma fornada se reconhecem.

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