
Dia 21 de Março é o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.
A data foi instituída pela ONU desde 1969 para lembrar os horrorres vividos por negros durante o regime do Apartheid na África do Sul. De acordo com a lei brasileira, racismo é um crime inafiançável. Mesmo que digam que o Brasil é um país de mistura de raças e que todas convivem em harmonia, não é bem isso que acontece na prática. O Brasil tem uma população de afrodescendentes que ultrapassa 70 milhões de pessoas, entre negros e pardos. Eles formam um contingente enorme de pessoas que ainda sofrem com as desigualdades econômicas e sociais. Índios e indivíduos de cor, etnia, religião ou origem diferente também são minorias esquecidas e vítimas de discriminação.Pesquisas do Núcleo de Consciência Negra da USP mostram que o salário médio do homem negro corresponde à metade do que recebe um homem branco. Para a mulher, a renda é menor ainda: 33,6% se comparada a uma branca.A Universidade de São Paulo tem apenas 1% de negros entre seus alunos, mesmo tendo um sistema de cotas polêmico que tenta corrigir esse desequilíbrio, garantindo vagas pelo critério racial.Dados recentes revelam que 51% dos negros declararam já ter sofrido discriminação por parte da polícia. Foi por isso que o jovem dentista Flávio Ferreira Santana, de 28 anos, morreu em 2004. Ele era negro e foi assassinado por policiais em São Paulo, após ser confundido com um assaltante. O corpo foi encontrado pela família três dias depois no IML, Instituto Médico Legal.A irmã da vítima, Marinela Ferreira Santana esteve no programa e contou que dos 5 policiais envolvidos no assassinato de Flávio, 3 já foram julgados e condenados a 17 anos e meio de prisão, além de perderem a farda. Dois policiais envolvidos ainda estão em liberdade, estão afastados da polícia e aguardam julgamento, que ainda não tem previsão para acontecer.Também participando do papo no Mais Você, o ator Milton Golçalves afirmou que já sofreu muitos preconceitos e discriminação. O ator chegou a tentar a carreira política, nos anos 90, quando se candidatou a governador do Estado do Rio de Janeiro. Acha que sua obrigação, como cidadão, é lutar por um Brasil melhor, começando pela educação, que segundo Milton, deve ser a base de toda sociedade. O ator tentou desmitificar a idéia de que o preconceito é coisa do passado no Brasil. Tomou como exemplo nunca ter visto um gerente de banco negro e pouco se deparar com caixas de banco negros. "Na Bahia, o Estado mais negro do país, não tem governantes negros!", enfatizou Milton.
Reportagem de Ana Maria Braga...


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